O Mestre da obra

Postado por Henrique tiarles | | Posted On quinta-feira, 26 de agosto de 2010 at 12:39

José Pinheiro Borda foi um Português que chegou ao Brasil em 1929.Colorado fanático, não perdia nem treino e se negava a colocar os pés no Olímpico.Foi diversas vezes presidente do Conselho Deliberativo, mais nunca aceitou ser presidente. A muito custo, convenceram-lhe de ser o presidente da Comissão de Obras do Beira-Rio.Borda se entregou de corpo e alma.Em julho de 1962, lançou a pedra fundamental.Dali em diante, diariamente estava no canteiro de obras."Tenho três coisas que amo profundamente: a minha esposa, o Internacional e o Gigante da Beira-Rio",costumava dizer.O sonho de ver o estádio inaugurado, contudo, não se concretizou .Borda faleceu aos 70 anos, em abril de 1966, inesperadamente, pois esbanjava energia.Na inauguração, foi descerrado um busto de bronze em sua homenagem.O Beira -Rio deve muito a este homem.
Beira-Rio: o Templo Colorado de Porto Alegre
Foto aérea do Beira-Rio (by Codexremote)
Gigante em noite de jogo pela Libertadores da América 2010
Perspectiva do Gigante do campo suplementar C
Visão panorâmica da Avenida Padre Cacique e do entorno do Beira-Rio

Nasce o Gigante da Beira-Rio

Postado por Henrique tiarles | | Posted On at 00:04

A história do Estádio Beira-Rio começou no dia 12 de setembro de 1956 quando o vereador Ephraim Pinheiro Cabral,três vezes presidente do Internacional, apresentou na Câmara de Porto Alegre o projeto de doação de uma área junto ao Guaíba.Na verdade o Inter estava ganhando era um terreno dentro da água. A complexidade da obra fazia com que ela não saísse do papel. Até que,numa noite de 1960, ao chegar nos Eucalipitos e se deparar com uma multidão fora do estádio, pois não havia mais lugar,Ruy Tedesco e Telmo Thompson Flores pediram uma reunião com o presidente Ephraim Pinheiro Cabral para tratar do assunto.
No encontro, definiram José Pinheiro Borda o presidente da Comissão de Obras: um homem de visão, que trabalhava exaustivamente pelo clube e possuía muito tempo para controlar aquela grandiosa construção.Não demorou muito, Borda conseguiu, da prefeitura, um máquina para colocar terra sobre a água do Guaíba que cobria o terreno.No dia 24 de novembro de 1957centenas de torcedores do Internacional desceram de ônibus e carros, com bandeiras e camisetas vermelhas às margens do rio Guaíba para ver uma cena que nada tinha a ver com futebol. Ao invés de uma partida, eles torciam para uma draga do Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), do Ministério da Viação e Obras Públicas, poderá executar o aterramento de 13 hectares doados pela Prefeitura de Porto Alegre ao clube dos Eucaliptos. As piadas dos gremistas foram inevitáveis.Ao ver a cena, os gremistas riam, riam e faziam galhofa. O terreno era composto de água e mais água. Quando o Inter anunciou a venda de cadeiras-cativas, muito antes da conclusão, os tricolores gracejavam que, na verdade, os títulos eram bóias. Bóias-cativas. A gozação ganhava mais corpo à medida em que as obras não engrenavam. A palavra "duvido" era constantemente mencionada, oque mobilizou ainda mais os colorados a empenharem-se na construção. Foi quando o engenheiro (e colorado fanático) José Pinheiro Borda tomou as rédeas daquela quixotesco projeto. Em 1961, ele havia perdido o pleito para a presidência do Jockey Club do Rio Grande do Sul, depois de ter sido o mentor do Hipódromo do Cristal, durante sua gestão anterior. Deslocado das funções do Jockey, Borda resolveu deslanchar de vez a construção do Beira-Rio.

O aterro onde foi erguido o Beira-Rio

As primeiras formas do Gigante

Margem do rio Guaíba ficava rente ao Beira-Rio em 1966

Pinheiro Borda dedicava-se ao máximo. Ruy Tedesco praticamente abandonou a sua firma de engenharia para se engajar no mutirão. O Beira-Rio foi construído em grande parte com a contribuição da torcida, que trazia tijolos, cimento e ferro para a obra, inclusive do interior. Nesse sentido, havia programas especiais de rádio, para mobilizar os torcedores colorados em todo o Rio Grande do Sul. Consta que até Falcão, mais tarde ídolo colorado, chegou a trazer tijolos para a construção.Em julho de 1962,José Pinheiro Borda e o Prefeito Loureiro da Silva lançaram a pedra fundamental.A venda de títulos para arrecadar fundos para a obra, que em um ano havia vendido apenas dois mil, com o início da construção rapidamente chegou aos 40 mil.

Torcendo para os pedreiros

Naquela época, o Grêmio já enfileirando títulos e mais títulos estaduais às custas do Internacional, que depositara todas as suas forças na construção do Beira-Rio. De 1963 a 1966, Pinheiro Borda saiu pelo estado afora em busca de recursos. Seu carisma e entusiasmo mobilizou os colorados, que contribuíam com dinheiro ou material de construção. Para promover as “bóias-cativas”, mandou erguer a aba das arquibancadas. quem comprava um título, era ironizado pelos amigos. Porém, quem passava diante das obras —já em estado avançado — via aquela marquise breve a alta, dando a impressão de que o estádio seria desproporcional e que inexoravelmente seria concluído. No entanto, o Gigante se erguia em detrimento da qualificação do grupo de jogadores, que terminavam trocando firulas e firulas dentro de campo e correndo por todo o Campeonato Gaúcho para, no fim, entregar a taça ao arqui-rival. A solução dos colorados: torcer para os pedreiros diante da obra, que moldavam aquela massa disforme numa estrutura de ferro e concreto — muito desse material doado pelos próprios torcedores, que observam o dia a dia das obras. Um deles, filho do seu Bento, que morava na Chácara Barreto, em Canoas. Um jovem de cabelos loiros e encaracolados, cuja admiração pelo clube o levou a integrar, tempos depois, os juvenis do Inter. Mais tarde, ele chegaria finalmente à equipe titular e se tornou omaior volante dos anos 70: Paulo Roberto Falcão.

Com o falecimento de Borda, Ruy Tedesco assumiu a presidência da Comissão.O estádio, antes da inauguração, já tinha o nome: José Pinheiro Borda. Em 1968, o Gigante já se mostrava imperioso, mas ainda levou um ano só com acabamentos,para que ele fosse inaugurado como o mais bonito e luxuoso do Brasil. Sua iluminação era a melhor existente, com o dobro de potência do Maracanã. O placar eletrônico ero o que de mais moderno havia. Os vestiários e as cabines de imprensa davam inveja.Sua capacidade superior a 100 mil espectadores.(hoje, o número foi reduzido a 56 mil)

Beira-Rio foi concluído em 1969

A inauguração

Para a inauguração foi encaminhado um festival à altura: sete equipes, sendo quatro clubes (Inter, Benfica, Peñarol e Grêmio) e três seleções nacionais (Brasil, Peru e Hungria) participaram, durante duas semanas, dos sete jogos programados — há 35 anos. Como relíquia, todos os atletas e seus respectivos técnicos, autografaram sete placas de cimento, de cerca de um metro quadrado cada uma.As sete placas de cimento integram hoje a herma dedicada à memória do idealizador do Gigante, José Pinheiro Borda, que fica ao lado da bilheteria e à esquerda da capela.Essa relíquia guarda exatamente uma centena de autógrafos dos jogadores que integraram as festividades, entre eles, Piazza, Pelé, Jairzinho, Dirceu Lopes, Gérson, Tostão, Rivelino, Cubillas, Fazekas, Rakosi, os uruguaios Mazukievikz, Pedro Rocha, Forlan, os protugueses Eusébio, Simões, Torres, os gremistas Everaldo, Áureo, Volmir Maçaroca, Alcindo, Joãozinho e um certo zagueiro chileno, atarracado e raçudo (e desconhecido), chamado Elias Figueroa, muito vaiado pelos torcedores do Inter porque, ao defender o Peñarol, ele resolveu desferir uma cotovelada triunfal no atacante colorado Sérgio Galocha.Todos eles — protagonistas ou coadjuvantes — são os personagens da primeira de muitas e muitas histórias do Estádio Beira-Rio, aliás, José Pinheiro Borda, e que comemora 35 anos desde aquela ancestral cabeçada de Claudiomiro nas redes (também ancestrais) do Benfica...

Finalmente o Beira-Rio foi inaugurado no domingo de 6 de abril de 1969, dois dias e 60 anos depois da fundação do Inter. No jogo inaugural, contra o Benfica de Portugal, Claudiomiro faz o primeiro gol do Inter no estádio. E de repente um homem grande começou a chorar, e a abanar para a torcida, enquanto dava a volta olímpica no gramado: Era Rui Tedesco, o engenheiro que concluiu o Beira-Rio. Emocionados estavam também os dirigentes, mas nada era maior do que o orgulho dos torcedores. Naquela tarde nascia o Gigante da Beira-Rio.

As equipes que disputaram o jogo Internacional e Benfica

Inter: Gainete, Laurício, Scala, Sadi, Pontes, Bráulio, Sérgio, Claudiomiro, Valdomiro e Gilson Porto.
Benfica: José Henrique Nascimento, Jacinto, Humberto, Porto, Adolfo, Torres, Simões, Eusébio, Vitor Martins, Cavaco e Calisto.






















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